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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mentira e Dostoiévski

Hoje é Primeiro de Abril, dia da mentira, “April’s fool day”.


Tema para o post de um blog, pois não!

Então vejamos: porque haveríamos de cultuar um “dia da mentira”?

A primeira coisa que me veio à mente foi o lugar comum: exercitar o lúdico e divertir-se com a capacidade de criar algo que engana o outro (um pequeno exercício de poder sádico).

Mas depois, pensando melhor, vaguei por um caminho diferente: e se a mentira for uma parte essencial da vivência humana? E se, para dizer de outra forma, precisamos da mentira para sobreviver? E se o dia da mentira for a celebração de algo que PRECISAMOS fazer cotidianamente, não só para os outros como para nós mesmos?

Pensando nisso me veio à mente uma frase de Dostoiévski: “A verdade, para ser palatável, precisa ser misturada com um pouco de mentira”.

Se isso for verdade o dia da mentira é um dia em que podemos enganar livremente os outros e que serve, alem de diversão, como catarse para todos os outros dias do ano, em que precisamos enganar a nós mesmos como forma de manter nossa sanidade.

E como nos enganamos?
- Dando importância ao que não é importante.
- Dando importância demais a nós mesmos (cultuando nosso narcisismo)
- Imaginando que o mundo se resume ao que conhecemos.
- Criando artifícios, religiões e fantasias para não encarar a dor da falta de sentido da vida.
- Acreditando que a vida pode ser segura e asséptica.
- Acreditando que podemos eliminar de nós a parte do que é ser humano que nos incomoda.
- E etc.

Tarefas hercúleas tendo que ser exercitadas 364 dias por ano...
Que bom que, de vez em quando, tenhamos licença para mentir... livremente e sem culpa.

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